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O crescente número de quedas de avião e a vacinação contra a COVID-19



Por Yan Avelino.

Segundo dados do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos EUA (National Transportation Safety Board, ou NTSB), o número de acidentes aéreos no país se manteve estável durante os últimos cinco anos, mesmo durante a pandemia do novo Coronavírus (COVID-19). Somente no ano passado, o órgão investigou 986 acidentes, sendo 168 deles fatais. Nos quatro anos anteriores, o NTSB investigou pouco mais de 1.000 acidentes por ano, incluindo cerca de 180 fatais por ano.

Os acidentes nos nove primeiros meses de 2021, contudo, aumentaram ligeiramente em relação ao mesmo período do ano passado — foram 795 neste ano, contra 777 de 2020. Acredite se quiser, os "mentirosos de plantão" começaram a espalhar que esse aumento se deve à vacinação contra a COVID-19, alegando que os pilotos têm sofrido efeitos colaterais durante o voo.

Isso é falso. ❌

Em um vídeo que circula nas redes sociais, é possível ouvir uma narração: “Há uma epidemia silenciosa de acidentes de avião acontecendo em todo o país e ninguém está ligando os pontos”. Esse vídeo, na verdade, fala sobre um acidente que aconteceu em 11 de outubro no sul da Califórnia, em que o piloto de um avião de pequeno porte caiu sobre uma comunidade residencial, matando uma pessoa no solo e ferindo outras duas.

“Está claro que o piloto estava tendo um derrame”, diz o vídeo. “O piloto era médico de um hospital e precisava tomar a vacina. Conhecemos muitos casos de pilotos que sofreram derrames após receber a vacina. É por isso que eles estão entrando em greve. É um dos muitos efeitos colaterais conhecidos desta vacina.”

Fato é: ainda não está claro se o piloto teve um derrame, nem é verdade que os derrames são um efeito colateral "conhecido" das vacinas COVID-19. Os efeitos colaterais mais comuns das vacinas contra a COVID-19 incluem dor no local da injeção, fadiga, dor de cabeça, dor muscular e febre — a depender de qual você tome. Em casos raros, as vacinas podem causar problemas mais graves, como anafilaxia, uma reação alérgica que ocorre em 2 a 5 pessoas por milhão, de acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA. (Centers for Disease Control and Prevention, CDC).

A investigação do acidente na Califórnia está em andamento, mas não há evidências que sugiram que o piloto, que também morreu, estava tendo uma reação relacionada à vacina. Embora seja verdade que o piloto era médico, é falso que a empresa aérea para qual ele trabalhava exigisse a vacinação.

O relatório preliminar do NTSB não faz menção à vacina COVID-19. Questionada, a Administração Federal de Aviação dos EUA (Federal Aviation Administration) disse: “A FAA não viu evidências de acidentes de aeronaves ou incapacitações de pilotos causadas por pilotos que sofreram complicações médicas associadas às vacinas COVID-19”.

É pura adivinhação tentar afirmar que o piloto teve um derrame. É um exagero ainda maior afirmar que o suposto acidente vascular cerebral estaria relacionado à vacinação, uma vez que os acidentes vasculares cerebrais não estão associados às vacinas COVID-19. Nós, contudo, não encontramos evidências do status de vacinação do piloto.

Aqui no Brasil também circulou uma mensagem parecida com a que estava sendo veiculada nos EUA. A diferença é que por aqui, os "mentirosos de plantão" sugeriam que o piloto do avião da cantora Marília Mendonça havia sofrido um mal súbito em razão de ter tomado dias antes a vacina contra a Covid-19. Isso, claro, é falso.

Em entrevista ao G1, a filha do piloto Geraldo Martins de Medeiros Júnior, Vitoria Dias Medeiros diz ter ficado espantada ao ver a mensagem falsa. "É cada uma. Meu pai tomou a vacina há meses". Segundo ela, Medeiros Junior não teve nenhum efeito adverso relacionado à vacinação nem tinha qualquer problema de saúde. 

"Não há descrições de mal súbito com a vacina. Além disso, os efeitos adversos acontecem em até 6 semanas depois que a pessoa se imunizou, não depois de meses", diz Leonardo Weissmann, médico infectologista e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia.



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