O sucesso da série "Round 6" e o impacto na sociedade sul-coreana
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| Imagem: Divulgação/Netflix |
Por Vitória Moura
No dia 20 de outubro deste ano, as redes sociais ficaram lotadas de fotos em que mostravam uma multidão de pessoas que supostamente seriam membros da Confederação Sul-Coreana de Sindicatos utilizando máscaras e fantasias inspiradas na série coreana original da Netflix “Squid Game” (ou "Round 6").
Isso é verdade! ✅
O protesto realmente aconteceu e não foi por acaso que os trabalhadores sul-coreanos escolheram logo esta série da Netflix para representar o protesto e a luta pelos seus direitos. A trama, com apenas 9 episódios, se tornou oficialmente a mais vista de todos os tempos na plataforma, e além disso, o próprio enredo dela já abre uma discussão sobre diversas críticas sociais, o que motivou os manifestantes a trazê-la como um grande significado para o protesto.
Durante o protesto, cerca de 80 dos membros da Confederação Coreana de Sindicatos vestiam macacões e máscaras faciais pretas com quadrados, círculos e triângulos, roupas características da série. De acordo com os jornais locais, cerca de 80 mil pessoas entraram em greve e se reuniram para protestar contra o governo do país.
Pedindo por melhores condições de trabalho para trabalhadores em situação irregular, assim como um aumento do salário mínimo. Ao todo, 12 mil policiais foram mobilizados para tentar controlar a massa, fazendo uso de barreiras e cercas para controle de multidões. Diversas pessoas participaram espalhadas por 13 cidades diferentes, somente em Seul, capital do país, estiveram presentes por volta de 27 mil pessoas.
Por outro lado, em um país onde a população é constantemente exposta a filmes e mangás japoneses, o gênero de jogos de sobrevivência parece muito familiar. Os sul-coreanos que não gostaram da série a criticaram por ser excessivamente gráfico, com alguns expressando arrependimento por ter assistido. Nas redes sociais, algumas pessoas chegaram a dizer que não gostaram "porque era violento demais para o gosto deles".
Além disso, há quem diga que esta foi uma má representação do egoísmo humano, o que "era realmente repulsivo para alguns coreanos". Outros espectadores reclamaram que a trama parecia bastante previsível, com cenários e personagens que lembravam outros K-dramas: um protagonista que não é inteligente e não é rico, mas ainda vence no final por causa de sua bondade; um irmão que sai em busca de seu irmão há muito tempo perdido, apenas para encontrá-lo quando ele está prestes a morrer; dois amigos de longa data que lutam entre si até a morte, mas acabam se desmanchando em lágrimas e se reconciliando no último minuto.
Jovens coreanos, especialmente os na casa dos 20 anos, reclamaram de algumas das cenas e diálogos do programa por serem misóginos (com alguns até mesmo pedindo um boicote à série) e criticaram o retrato do programa de desertores norte-coreanos, trabalhadores migrantes e idosos como desatualizado, argumentando que o Squid Game não refletia o progresso que a Coreia do Sul havia feito no tratamento desses grupos marginalizados desde 2008, quando o roteiro foi concebido.
Fato é: ao passo que alguns se inspiram na série, outros buscam artifícios para demonstrar suas insatisfações. A série tem sido um sucesso muito lucrativo para a Netflix — tanto que já tem seu retorno garantido. Mas deve-se também fazer duras críticas ao sistema representado pela série, haja vista que todos os modelos apresentados pela trama são de fácil identificação do público.

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